Os 4 Macacos da Segurança da Informação
1/22/2026


A alguns dias vi um post do Ricardo Amorim sobre os “4 macacos” — e ele me fez pensar o quanto essa metáfora se encaixa perfeitamente na nossa realidade em Segurança da Informação.
No post, ele dizia mais ou menos assim:
“Um não vê ninguém.
Outro não ouve ninguém.
O terceiro não fala com ninguém.
E o quarto... está olhando para o celular.”
Esse último é a soma dos três anteriores e não vê, não ouve e não fala.
E eu pensei: é exatamente assim que muitas empresas lidam com segurança da informação.
Todo mundo sabe que segurança é importante.
Todo gestor já leu sobre empresas que quebraram depois de um ataque.
Todo mundo fala em dados, em compliance, em LGPD.
Mas entre saber e agir existe um abismo.
Uma analogia simples poderia ser assim:
O primeiro macaco não vê as vulnerabilidades que estão bem na frente dele.
O segundo não ouve os alertas da equipe técnica.
O terceiro não fala sobre segurança nas reuniões de diretoria.
E o quarto... simplesmente não pensa nas consequências até ser tarde demais.
Esses dias, durante um diagnóstico que estávamos conduzindo em uma empresa, um gestor de TI bastante experiente contou um caso que viveu anos atrás.
Um diretor havia contratado um teste de invasão e uma simulação de phishing.
A consultoria fez o trabalho e avisou:
“Conseguimos invadir. Tivemos acesso ao banco de dados principal.”
O diretor marcou uma reunião, fez alarde, chamou todo mundo.
E adivinha qual foi a conta invadida?
A dele.
A partir da conta do próprio diretor, a equipe de teste teve acesso a tudo.
Faltava gestão, controle de acesso, política de privilégio mínimo.
Um simples erro de permissão poderia ter custado o negócio.
Em outro caso, uma empresa de grande porte da área de logística teve a operação inteira paralisada por um ransomware.
Ao investigar a origem, descobrimos que o ataque veio pela VPN de um fornecedor — justamente o fornecedor que vendia serviços de segurança da informação para eles.
Esses dois casos mostram o que acontece quando a segurança é tratada como projeto técnico, e não como uma questão de gestão e continuidade.
O problema real é que nas empresas brasileiras segurança é invisível quando funciona.
Ninguém bate palma porque não aconteceu nada.
Ninguém agradece pelo incidente que foi evitado.
E assim, tudo vai sendo empurrado com a barriga…
Até o dia em que o circo pega fogo.
Aí vem o choque:
Dados vazados.
Operação parada.
Clientes furiosos.
·Prejuízo milionário.
E a pergunta que sempre aparece depois é a mesma:
“Como isso aconteceu?”
Simples.
Você estava fazendo exatamente como os quatro macacos.
Não viu.
Não ouviu.
Não falou.
E não pensou.
Segurança da informação não é prioridade até virar emergência.
E quando vira emergência, o custo é dez vezes maior.
Empresas maduras já entenderam:
Segurança não é custo — é continuidade.
Não é sobre comprar mais ferramenta — é sobre construir consciência.
Talvez seja hora de parar de imitar os quatro macacos.
De abrir os olhos para as vulnerabilidades reais.
De ouvir quem está pedindo socorro.
De falar sobre o assunto nas reuniões certas.
E de pensar nas consequências antes que seja tarde.
Porque no final das contas,
a pergunta não é se ou quando sua empresa vai sofrer um ataque.
A pergunta real é:
Depois que ele acontecer — sua empresa vai sobreviver?
Vai ter continuidade?
Vai conseguir proteger o essencial?
Vai conseguir minimizar os impactos e voltar a operar?
Segurança da informação não é sobre evitar o inevitável.
É sobre estar preparado para resistir.
E resistir só é possível quando a empresa vê, ouve, fala e pensa sobre segurança todos os dias — antes que o problema aconteça.
👉 Agora me diz:
Sua empresa vê os problemas de segurança que estão à frente dela?
Sua empresa ouve os alertas da equipe técnica?
·Sua empresa fala sobre segurança nas decisões estratégicas?
A resposta a essas três perguntas diz muito sobre o futuro da sua continuidade.
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